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sexta-feira, dezembro 10, 2004

Aconteceu.

Ao sair para verificar um barulho que pareceu de pedra que acertara o portão de casa, minha mãe não viu ninguém, passados uns segundos o portão do vizinho é aberto e de lá sai duas crianças minha mãe as cumprimenta e segue-se o diálogo entre minha mãe que ocorreu por volta de 13:00hs e um dos filhos da vizinha, o outro estava encostado no muro com uma das pernas dobrada, com a ponta do pé apoiado no chão formando tipo um quatro e uma das mãos ?nas cadeiras?, a famosa cintura pra quem não sabe.
O da conversa tem sete anos de idade e o outro oito e meio.
Gugu: D. Virina, a senhora sabe de uma coisa?
Virina: Não, não sei meu bem.
Gugu: Minha mãe tem uma sorte danada; sempre no caminho da escola ela acha R$20,00 ou R$30, 00, e isso é todo dia.
Minha mãe não é boba nada, mas gosta muito de criança e foi escutando o relato do Gugu, que não parava de se gabar das façanhas venturosas da mãe.
Com sorriso maroto minha mãe ?puxava mais a língua do menino?. A essas alturas o irmão dele já tomara outra posição, agora totalmente de costas para o muro. O pitbull do vizinho treinava no pneu velho, o sol a pino estourava até mamona, alguns papagaios ou pipas como é conhecido em outros estados, fora de temporada bailavam no céu a ária: ?Dividir e Conquistar?, de domínio público mesmo; e o cerol cortando tudo. Já na sombra o papo continuava, Gugu: pois é ontem mesmo foi com R$50,00 que ela voltou pra casa é muita sorte né, D. Virina?
Virina: realmente é muita sorte Gugu, sua mãe poderia tentar jogar no ?bicho? ou quem sabe na mega sena, ela teria grandes chances de ganhar! Você não concorda?
Gugu: é mesmo minha mãe tem uma sorte...
Em seguida minha mãe disse que entraria, pois tinha que fazer ?muita coisa? ainda. Despediram-se e ela entrou.
Eu presenciei a cena de longe por um breve período. Às gargalhadas, mamãe que sorri até com o programa do ?Gato Zap? na tv Cultura; me conta o teor da conversa. Eu tenho uma vaga suposição de tamanha sorte e você? E que vigor tem esse pitbull, não para de treinar e nem de latir.
Só pra esclarecer a vizinha cria os filhos sozinha e tem um terceiro de outro pai; os filhos não tiveram a presença dos pais em sua criação.
O Gugu não pronuncia o nome de mamãe direito.

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domingo, dezembro 05, 2004

Natal em 7 de maio.

Nada mal se o natal fosse comemorado em uma data diferente até porque, não se tem certeza da data do nascimento de Jesus e nenhum documento comprova que 25 de dezembro é a data certa.
Nunca me foi contada a estória de papai Noel, eu tenho sim é a lembrança de um dia no terceiro ano primário, dois colegas de classe discutiam um menino e uma menina, não me lembro o por que, mas ela para subjugá-lo soltou a seguinte frase: Deixa de ser besta todo mundo sabe que papai Noel não existe, quem te dá presentes é seu pai ou sua mãe, idiota.
Aquilo ecoou na minha cabeça até então alienada quanto ao assunto, desde então eu passei, a saber, porque em alguns natais eu havia ganhado presente talvez por osmose eu tenha associado aquela reunião de fim de ano com papai e mamãe, com mesa farta e presentes.
Agora a minha frustração maior quando criança foi com Uri Gueller o entortador de garfos e colheres entre outras coisas, só com o poder da mente.
Acontecia o seguinte meu pai comprava quatro carrinhos de plástico iguais, e dava um para mim outro para meu irmão ao brincar muito com o meu carrinho, pois ele não só era on road, off road, overcraft, como fazia trekking, rappel e até tirolesa.
Com essa multi funcionalidade toda não sabia porque ele se quebrava, aí mamãe pedia que colocássemos o que sobrara do valente carrinho encima da geladeira que o Uri Gueller viria de noite e consertaria o brinquedo. Feito isso na manhã seguinte para meu espanto estava lá o carrinho novinho em folha, era o máximo.
Um dia, ficamos de campana para vermos o Uri em pessoa operar a proeza, foi assim que pegamos papai trocando uns robozinhos que haviam se quebrado, por outros novinhos.
Que desilusão aquilo foi o fim, fiquei sem chão.
O natal está desvirtuado a magia acabou a gastança desenfreada tomou conta das pessoas as lojas em outubro já disputam o cliente e seu 13º salário, parcelas que parecem consórcio anunciam o primeiro pagamento só no ano seguinte.
A proximidade com o fim do ano também é ruim já temos tantos feriados que são emendados sem cerimônia nenhuma, aí chega o fim do ano já não se trabalha a partir do dia 22 ou 23 de dezembro. Tudo bem o argumento de que trabalhamos muito, somos um povo sofrido e temos direito a diversão é aceitável, mas quem trabalha muito não se diverte, quem se diverte não tem trabalho, tem é emprego.
Por isso proponho o natal em maio que já têm o feriado do dia do trabalho, assim fica tudo de acordo. Festa de fim de ano desvinculada da festa do natal, aliás, todos ainda se lembram que no natal comemora-se o nascimento de Cristo, não é.
Pois então viva o natal em maio.

Dica pra ouvir: Jingle Bells

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